Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010
Geada

     Às vezes, em dias de  luz  perfeita e exacta,
     Em que as coisas têm toda a realidade que podem ter,
     Pergunto a mim próprio devagar
     Por que sequer atribuo eu
     Beleza às coisas.
     Uma flor acaso tem beleza?
     Tem beleza acaso um fruto?
     Não: têm cor e forma
     E existência apenas.
     A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe
     Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão.
     Não significa nada.
     Então por que digo eu das coisas: são belas?
     Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
     Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
     Perante as coisas,
     Perante as coisas que simplesmente existem.
     Que difícil ser próprio e não ver senão o visível!
                                                                                                   Alberto Caeiro

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publicado por Filomena às 18:58
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